Papel de plástico reciclado
Por Dinorah Ereno - 15/1/2009
Um papel sintético fabricado com plástico descartado pós-consumo foi desenvolvido
na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e testado em uma planta piloto da empresa Vitopel, fabricante de filmes
flexíveis com fábrica em Votorantim, no interior paulista.
Produzido em forma de filmes, o material feito a partir de garrafas de água, potes de alimentos
e embalagens de material de limpeza pode ser empregado em rótulos de garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas,
livros escolares e cédulas de dinheiro.
"Ele é indicado para aplicações que necessitam de propriedades como barreira à
umidade e água, além de ser bastante resistente", diz a professora Sati Manrich, do Departamento de Engenharia
de Materiais da universidade e coordenadora do projeto que teve financiamento da FAPESP para o desenvolvimento da pesquisa
e o depósito de patente.
O papel sintético comercializado atualmente é produzido com derivados de petróleo.
"Existem várias patentes e produtos comercializados com matéria-prima virgem, mas não encontramos nenhuma
patente ou papel sintético feito a partir de material plástico reciclado", diz Sati.
Os testes na planta piloto, também chamada de escala semi-industrial, foram conduzidos por Lorenzo
Giacomazzi, coordenador de tecnologia de processos da Vitopel, que tem a cotitularidade da patente. "O grande diferencial
desse processo é fabricar um papel sintético com material totalmente reciclado", diz Giacomazzi.
Foram usadas várias composições e misturas de plásticos da classe das poliolefinas.
"O aspecto final é o mesmo do produto feito a partir da resina virgem, com a vantagem que se aproveita o material que
iria para o aterro sanitário ou lixões."