O Arranjo Produtivo Local (APL) de Cal e Calcário da Região Metropolitana, entidade que congrega os sindicatos dos produtores de cal, calcário e associações da área no Paraná, prepara-se para lançar o selo verde para empresas que respeitam a legislação ambiental. Ainda não há data marcada para a implantação da ferramenta, mas segundo o APL, faltam apenas alguns detalhes para concluir o projeto. De acordo com o secretário executivo do APL, Fábio Pini, a história do setor de mineração está marcada por ações de beneficiadoras que, ao longo dos anos, não se preocuparam com o meio ambiente e expansão urbana. “O empresário preocupava-se com dinheiro e com quantos funcionários estava empregando”, explica Pini. Segundo ele, porém, de três a quatro anos para cá, o quadro começou a mudar, principalmente depois que a fiscalização apertou. Em maio, o IAP interditou três empresas de cal em Colombo acusadas de poluir o ar.
Confira os problemas causados pelo pó da cal e as APLicações do material:
Problema
O pó formado em todas as fases de produção da cal (extração, transporte, descarregamento,
moagem etc) causam poluição atmosférica e problemas respiratórios.
Ações
Medições, umidificação do piso, pavimentação do piso, formação de
“cortinas” verde de árvores, implantação de filtros, vedação de ambientes,
implantação de exaustores podem ajudar a minimizar o problema
Usos
CAL
- construção civil - pavimentação - processos industriais no setor sucroalcooleiro (açúcar
e álcool) - medicamentos - vidros - cerâmicas - tratamento de água e esgoto - siderurgia - tratamento
de couro em curtume - agricultura
CALCÁRIO
- agricultura - construção civil (tintas) - brita e areia
Produção
28% do cal e 24% do calcário para agricultura produzidos no país são do Paraná.
Para dar suporte às empresas que queiram se adequar, o APL vai promover
palestras, fazer o diagnóstico, propor soluções e um cronograma de ações. Depois disso,
será chamada uma auditoria externa. Caso a empresa seja aprovada, ela passará a contar com o selo verde. “O
selo não significa que ela não pode ser multada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por exemplo.
Significa apenas que ela está seguindo o caminho correto”, explica.
Segundo Pini, contudo, o interesse em colocar em prática o “selo verde” não está relacionado
apenas ao meio ambiente. “Estamos pensando no mercado também. Não é justo uma empresa gastar e
cuidar do meio ambiente e ter de concorrer com outra que não faz nada. Além disso, tem a questão de consciência
do consumidor, que pode passar a preferir produtos das empresas com selo verde”, diz Pini.
Interessados
Nenhuma empresa no Paraná tem ainda o selo verde, mas já há um punhado de empresários interessados.
Um deles é Alzemir Gulin, proprietário da Argafácil, produtora de argamassa feita com cal. Segundo ele,
quando seus pais montaram uma indústria de cal, há cerca de 40 anos, não tinham preocupação
com o meio ambiente. “Eles só pensavam que tinha que dar certo. Esse tipo de cultura é comum no setor”,
conta. Quando Gulin foi montar sua própria empresa, há 15 anos, porém, teve uma atitude diferente.
“Desde o nascimento da Argafácil tive a preocupação com o meio ambiente. Acredito que, agora, este
selo verde seja uma premiação para quem preserva, pois será um diferencial no mercado”, avalia.
Com medidas simples na sua empresa – implantação de uma “cortina” verde de árvores,
filtros, pavimentação e umidificação do pátio e das vias de acesso da empresa – Gulin
espera a implantação do selo verde, para pedir o seu.
FONTE: GAZETA DO POVO (PR) • VIDA E CIDADANIA • 5/11/2008
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