05/11/2008

Selo verde no setor de cal e calcário

Sistema permitirá identificar quais empresas se preocupam com o meio ambiente

O Arranjo Produtivo Local (APL) de Cal e Calcário da Região Metropolitana, entidade que congrega os sindicatos dos produtores de cal, calcário e associações da área no Paraná, prepara-se para lançar o selo verde para empresas que respeitam a legislação ambiental. Ainda não há data marcada para a implantação da ferramenta, mas segundo o APL, faltam apenas alguns detalhes para concluir o projeto. De acordo com o secretário executivo do APL, Fábio Pini, a história do setor de mineração está marcada por ações de beneficiadoras que, ao longo dos anos, não se preocuparam com o meio ambiente e expansão urbana. “O empresário preocupava-se com dinheiro e com quantos funcionários estava empregando”, explica Pini. Segundo ele, porém, de três a quatro anos para cá, o quadro começou a mudar, principalmente depois que a fiscalização apertou. Em maio, o IAP interditou três empresas de cal em Colombo acusadas de poluir o ar.


Confira os problemas causados pelo pó da cal e as APLicações do material:

Problema
O pó formado em todas as fases de produção da cal (extração, transporte, descarregamento, moagem etc) causam poluição atmosférica e problemas respiratórios.

Ações
Medições, umidificação do piso, pavimentação do piso, formação de “cortinas” verde de árvores, implantação de filtros, vedação de ambientes, implantação de exaustores podem ajudar a minimizar o problema

Usos
CAL
- construção civil - pavimentação - processos industriais no setor sucroalcooleiro (açúcar e álcool) - medicamentos - vidros - cerâmicas - tratamento de água e esgoto - siderurgia - tratamento de couro em curtume - agricultura

CALCÁRIO
- agricultura - construção civil (tintas) - brita e areia

Produção
28% do cal e 24% do calcário para agricultura produzidos no país são do Paraná.
Para dar suporte às empresas que queiram se adequar, o APL vai promover palestras, fazer o diagnóstico, propor soluções e um cronograma de ações. Depois disso, será chamada uma auditoria externa. Caso a empresa seja aprovada, ela passará a contar com o selo verde. “O selo não significa que ela não pode ser multada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por exemplo. Significa apenas que ela está seguindo o caminho correto”, explica.
Segundo Pini, contudo, o interesse em colocar em prática o “selo verde” não está relacionado apenas ao meio ambiente. “Estamos pensando no mercado também. Não é justo uma empresa gastar e cuidar do meio ambiente e ter de concorrer com outra que não faz nada. Além disso, tem a questão de consciência do consumidor, que pode passar a preferir produtos das empresas com selo verde”, diz Pini.


Interessados


Nenhuma empresa no Paraná tem ainda o selo verde, mas já há um punhado de empresários interessados. Um deles é Alzemir Gulin, proprietário da Argafácil, produtora de argamassa feita com cal. Segundo ele, quando seus pais montaram uma indústria de cal, há cerca de 40 anos, não tinham preocupação com o meio ambiente. “Eles só pensavam que tinha que dar certo. Esse tipo de cultura é comum no setor”, conta. Quando Gulin foi montar sua própria empresa, há 15 anos, porém, teve uma atitude diferente.


“Desde o nascimento da Argafácil tive a preocupação com o meio ambiente. Acredito que, agora, este selo verde seja uma premiação para quem preserva, pois será um diferencial no mercado”, avalia. Com medidas simples na sua empresa – implantação de uma “cortina” verde de árvores, filtros, pavimentação e umidificação do pátio e das vias de acesso da empresa – Gulin espera a implantação do selo verde, para pedir o seu.

FONTE: GAZETA DO POVO (PR) VIDA E CIDADANIA 5/11/2008 TEMAS DA INDÚSTRIA

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